No Tempo que em que hoje todos nós vivemos, tão grande agitação se tem levantado com a incerteza de toda e qualquer previsão que se queira fazer. Todo e qualquer esforço de nortear um rumo económico, cultural, social, educacional num instante, fracassará. O mundo que se nos apresenta, virou-se do avesso e a ruina de uns poucos poderosos capitalistas, sem Ética nem noção de Justiça igualitária e universal faz malogar toda uma imensidão de tecnocratas que cegamente seguiam os passos de um crescimento sem base de sustentação.
De forma a termos conceitos que nos auxiliem na compreensão do jogo politico mundial que se tem desenrolado desde o último sec., passo a citar o excelente artigo do Professor de Filosofia política João Cardoso Rosas que nos revela as diferentes ideologias políticas da era moderna Um visãoo de Homens que coloca em acção o esforço de muitos e tanto pelo compromisso como pela força têm conduzido o mundo ao estado em que se apresenta perante a nossa percepção.
“Política e natureza humana
As três grande ideologias políticas da modernidade - socialismo, conservadorismo e liberalismo - têm visões distintas da natureza humana.
O Socialismo tende a ter uma visão optimista sobre o Homem. Este pode ser corrompido pela sociedade, como pensava Jean Jacques Rousseou. Mas é sempre possivel tentar recuperar o que nele existe de melhor. As mudanças sociais, sejam de cararcter revolucionário ou de tipo gradualista, visam precisamente criar as condições objectivas para que os seres humanos possam florescer. Era isso que pensavam os mais diversos pensadores desta área, desde os socialistas utópicos como Robert Owen ou Charles Fourier, aos socialistas revolucionários como Karl Marx, ou a um social-democrata reformista como Eduard Bernstein. Os socialistas actuais continuam a pensar que as mudanças do contexto social permite criar uma sociedade mais fraterna, ou solidária, precisamente porque só uma sociedade igualitária, ou sem exploração do homem pelo homem, os seres humanos se poderão revelar no seu melhor.
O conservadorismo tem uma visão diametralmente oposta a esta. A visão conservadora é pessimista. Em termos religiosos, o conservadorismo vê o homem como marcado por um pecado original do qual não se livrará facilmente. Numa linguagem mais secular, o pensamento conservador nega a existência de uma natureza humana, intrinsecamente boa e depois corrompida pela sociedade. Pelo contário, os conservadores pensam que a sociedade, com as suas tradições e instituições - a Família, a Igreja e o Estado - são cruciais para enquadrar a natureza humana e dominar o seu carácter passional e potencialmente nocivo. O homem natural, o ‘homem nú’, é para os conservadres a mais perigosa das criaturas. Era assim que pensava o fundador do conservadorismo moderado, Edmund Burke, mas também os pensadores mais reaccionários, como De Maistre ou De Bonald. É ainda desta forma que pensam os conservadores actuais. Eles procuram compensar a sua desconfiança em relação à natureza humana com uma aceitação acrítica das instituições e tradições sociais.
O Liberalismo é,de entre as três grandes ideologias, aquela que tem uma visão mais realista da natureza humana. Para os liberais, o homem não é naturalmente bom nem naturalmente mau. Os liberais tendem a olhar para este tipo de definim, tornando-a compções da essência humana com algum cepticismo. Para os liberais, o homem é capaz de tudo, do pior e do melhor. A questão política fundamental não é a da definição de uma natureza fixa ou imutavel do homem, mas antes a questão da manutenção das liberdades individuais, compativeis com as mesmas liberdades para os outros. A liberdade é um projecto colectivo e, por isso tem de ter limites. Os grandes pensadores liberais, de John locke a Stuart Mill, ou ao liberalismo comtemporâneo, sempre tentaram definir essa esfera de liberdade de cada um, tornando-a compativel com a mesma liberdade de todos. Daí a importância que os liberais dão ao Estado como instância de garantia e compatibilização das liberdades individuais. A partir desta tese os liberais divergem entre si. Para uns, mais de direita, não é necessário um Estado mais extenso do que aquele que assegura as liberdades. Para outros, mais de esquerda, o Estado deve também assumir as funções de criar igualdade de oportunidades e justiça distrubutiva, mas sem nunca comprometer a prioridade da máxima liberdade individual compativel com uma liberdade igual para os outros.”
ensaio política
revista cais nº 126
Janeiro 2008
Será um aviso, ter sobre toda a economia mundial um freio que arrefeça as promessas de um desenvolvimento rápido e impensado? Vale a pena dar tempo para que o desenvolvido cérebro humano faça vingar meios tecnológicos sustentaveis, capazes de restabelecer a igualdade entre iguais e garantir uma distribuição justa de rendimentos a longo prazo, com menos sofrimento tanto ambiental como social.
Assumamos a responsabilidade que nos é pedida e por nossa mão façamos existir a realidade que queremos viver. Muitos companheiros perecerão nesta caminhada sem provarem os frutos colhidos de tão laboriosa empresa, mas valerá a pena termos feito parte e desempenhado sagrada tarefa para as gerações vindouras…