…um suspiro.
Prezando muito a conquista de todo o conforto que o homem do séc XXI possuiu, aplicando as técnicas racionais do capitalismo/liberalismo, importa ao Sertotal, recentrar a origem dessa conquista, relembrando o cansaço e o esforço dedicado que soube aplicar, na acção construtora de todos os dias. Mas não sendo sua, a pretensão de suplantar nenhuma “máquina”, humana ou de metal, vale a pena recuperar o corpo e renovar as ideias na sua mente para uma nova atitude criadora, cedendo ao tempo, o espaço necessário para a renovação do seu capital mais nobre, a integridade.
E, para aqueles que se mantêm cegos no entendimento, esvairidos nos números mágicos dos seus objectivos pessoais, colocando em causa o espírito humanista e o desenvolvimento económico-social sustentado, no qual todo o indivíduo faça parte, dedico este repouso, com estas maravilhosas cores (de Primavera), de tons flamantes e inspiradores, porque as conquistas, se fazem a duas voltas…
”O espírito de competição, considerado como a principal razão da vida, é demasiado inflexível, demasiado tenaz, demasiado composto de músculos tensos e de vontade decidida para servir de base possível à existência durante mais de uma ou duas gerações. Depois desse espaço de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, vários fenómenos de evasão, uma procura de prazeres tão tensa e tão penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se impossível) e finalmente o desaparecimento da raça devido à esterilidade. Não somente o trabalho é envenenado pela filosofia que exalta o espírito de competição mas os ócios são-no na mesma medida. O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação de uma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.”
Bertrand Russell
(1872-1970)
in ‘A Conquista da Felicidade’