“Homo sum; Humani nihil a me alienum puto.”
Sou homem; E nada do que é humano me é alheio.
Publius Terentius Afer
(195 a.C. - 185 a.C.)
“Homo sum; Humani nihil a me alienum puto.”
Sou homem; E nada do que é humano me é alheio.
Publius Terentius Afer
(195 a.C. - 185 a.C.)
Prezando muito a conquista de todo o conforto que o homem do séc XXI possuiu, aplicando as técnicas racionais do capitalismo/liberalismo, importa ao Sertotal, recentrar a origem dessa conquista, relembrando o cansaço e o esforço dedicado que soube aplicar, na acção construtora de todos os dias. Mas não sendo sua, a pretensão de suplantar nenhuma “máquina”, humana ou de metal, vale a pena recuperar o corpo e renovar as ideias na sua mente para uma nova atitude criadora, cedendo ao tempo, o espaço necessário para a renovação do seu capital mais nobre, a integridade.
E, para aqueles que se mantêm cegos no entendimento, esvairidos nos números mágicos dos seus objectivos pessoais, colocando em causa o espírito humanista e o desenvolvimento económico-social sustentado, no qual todo o indivíduo faça parte, dedico este repouso, com estas maravilhosas cores (de Primavera), de tons flamantes e inspiradores, porque as conquistas, se fazem a duas voltas…
”O espírito de competição, considerado como a principal razão da vida, é demasiado inflexível, demasiado tenaz, demasiado composto de músculos tensos e de vontade decidida para servir de base possível à existência durante mais de uma ou duas gerações. Depois desse espaço de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, vários fenómenos de evasão, uma procura de prazeres tão tensa e tão penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se impossível) e finalmente o desaparecimento da raça devido à esterilidade. Não somente o trabalho é envenenado pela filosofia que exalta o espírito de competição mas os ócios são-no na mesma medida. O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação de uma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.”
Bertrand Russell
(1872-1970)
in ‘A Conquista da Felicidade’
De forma a termos conceitos que nos auxiliem na compreensão do jogo politico mundial que se tem desenrolado desde o último sec., passo a citar o excelente artigo do Professor de Filosofia política João Cardoso Rosas que nos revela as diferentes ideologias políticas da era moderna Um visãoo de Homens que coloca em acção o esforço de muitos e tanto pelo compromisso como pela força têm conduzido o mundo ao estado em que se apresenta perante a nossa percepção.
“Política e natureza humana
As três grande ideologias políticas da modernidade - socialismo, conservadorismo e liberalismo - têm visões distintas da natureza humana.
O Socialismo tende a ter uma visão optimista sobre o Homem. Este pode ser corrompido pela sociedade, como pensava Jean Jacques Rousseou. Mas é sempre possivel tentar recuperar o que nele existe de melhor. As mudanças sociais, sejam de cararcter revolucionário ou de tipo gradualista, visam precisamente criar as condições objectivas para que os seres humanos possam florescer. Era isso que pensavam os mais diversos pensadores desta área, desde os socialistas utópicos como Robert Owen ou Charles Fourier, aos socialistas revolucionários como Karl Marx, ou a um social-democrata reformista como Eduard Bernstein. Os socialistas actuais continuam a pensar que as mudanças do contexto social permite criar uma sociedade mais fraterna, ou solidária, precisamente porque só uma sociedade igualitária, ou sem exploração do homem pelo homem, os seres humanos se poderão revelar no seu melhor.
O conservadorismo tem uma visão diametralmente oposta a esta. A visão conservadora é pessimista. Em termos religiosos, o conservadorismo vê o homem como marcado por um pecado original do qual não se livrará facilmente. Numa linguagem mais secular, o pensamento conservador nega a existência de uma natureza humana, intrinsecamente boa e depois corrompida pela sociedade. Pelo contário, os conservadores pensam que a sociedade, com as suas tradições e instituições - a Família, a Igreja e o Estado - são cruciais para enquadrar a natureza humana e dominar o seu carácter passional e potencialmente nocivo. O homem natural, o ‘homem nú’, é para os conservadres a mais perigosa das criaturas. Era assim que pensava o fundador do conservadorismo moderado, Edmund Burke, mas também os pensadores mais reaccionários, como De Maistre ou De Bonald. É ainda desta forma que pensam os conservadores actuais. Eles procuram compensar a sua desconfiança em relação à natureza humana com uma aceitação acrítica das instituições e tradições sociais.
O Liberalismo é,de entre as três grandes ideologias, aquela que tem uma visão mais realista da natureza humana. Para os liberais, o homem não é naturalmente bom nem naturalmente mau. Os liberais tendem a olhar para este tipo de definim, tornando-a compções da essência humana com algum cepticismo. Para os liberais, o homem é capaz de tudo, do pior e do melhor. A questão política fundamental não é a da definição de uma natureza fixa ou imutavel do homem, mas antes a questão da manutenção das liberdades individuais, compativeis com as mesmas liberdades para os outros. A liberdade é um projecto colectivo e, por isso tem de ter limites. Os grandes pensadores liberais, de John locke a Stuart Mill, ou ao liberalismo comtemporâneo, sempre tentaram definir essa esfera de liberdade de cada um, tornando-a compativel com a mesma liberdade de todos. Daí a importância que os liberais dão ao Estado como instância de garantia e compatibilização das liberdades individuais. A partir desta tese os liberais divergem entre si. Para uns, mais de direita, não é necessário um Estado mais extenso do que aquele que assegura as liberdades. Para outros, mais de esquerda, o Estado deve também assumir as funções de criar igualdade de oportunidades e justiça distrubutiva, mas sem nunca comprometer a prioridade da máxima liberdade individual compativel com uma liberdade igual para os outros.”
ensaio política
revista cais nº 126
Janeiro 2008
Será um aviso, ter sobre toda a economia mundial um freio que arrefeça as promessas de um desenvolvimento rápido e impensado? Vale a pena dar tempo para que o desenvolvido cérebro humano faça vingar meios tecnológicos sustentaveis, capazes de restabelecer a igualdade entre iguais e garantir uma distribuição justa de rendimentos a longo prazo, com menos sofrimento tanto ambiental como social.
Assumamos a responsabilidade que nos é pedida e por nossa mão façamos existir a realidade que queremos viver. Muitos companheiros perecerão nesta caminhada sem provarem os frutos colhidos de tão laboriosa empresa, mas valerá a pena termos feito parte e desempenhado sagrada tarefa para as gerações vindouras…

Aguarela d’autora – Carmen Lopes .09
“se sou tinta,tu és tela
se sou chuva, és aguarela
se sou sal, és branca areia
se sou mar,és maré cheia
se sou céu, és nuvem nele
….
sou voz do coração
numa carta aberta ao mundo
sou um espelho de emoção
do teu olhar profundo
sou um todo,num instante
corpo dado,em jeito de amante
sou o tempo que não passa
quando a saudade me abraça
beija o mar,o vento e a lua
sou um sol,em neve nua
em todas as ruas do Amor
serás meu e eu serei tua.”
Flor de Liz
Porque os dias nem sempre trazem sol…a alma segue o ritmo próprio do tempo.
O sentimento traduzido, se acerca disto algo posso revelar, será este som…
Esta disposição de planar dentro de um espaço,
onde as ilusões se mascaram e se revelam…
“Stay out super late tonight picking apples, making pies
put a little something in our lemonade and take it with us
we’re half-awake in a fake empire
we’re half-awake in a fake empire
Tiptoe through our shiny city with our diamond slippers on
Do our gay ballet on ice
bluebirds on our shoulders
we’re half-awake in a fake empire
we’re half-awake in a fake empire
Turn the light out say goodnight
no thinking for a little while
lets not try to figure out everything it wants
It’s hard to keep track of you falling through the sky
we’re half-awake in a fake empire
we’re half-awake in a fake empire”
the National.
Cresce em meu olhar
um prazer que se anuncia…no divagar dos teus dedos
sob as notas do meu dia…
O homem procura o conhecimento,
eu procuro Sentimento.
“Não é fácil explicar em poucas palavras as razões porque se aprecia o amor; no entanto vou tentar faze-lo.
Em primeiro lugar o amor deve ser apreciado e esta razão, embora não seja a de maior importância é essencial a todo o resto – como sendo em si mesma uma fonte de prazer. Em segundo lugar, o amor deve ser apreciado porque dá realce aos melhores prazeres da vida, tais como o ouvir música, o assistir ao nascer do sol nas montanhas, o ver a luz do luar espelhada nas águas. Um homem que nunca gozou a contemplação das coisas belas na companhia da mulher amada, nunca sentiu plenamente o poder mágico que dessas coisas se depreende. Além do mais, o Amor pode quebrar a dura concha do Eu, pois é uma forma de cooperação biológica, na qual as emoções de cada um são necessárias à satisfação dos propósitos instintivos do outro.
Têm existido no mundo, em várias épocas, diferente filosofias de solitários, umas mais nobres do que outras. Os estóicos e os primitivos cristãos, pensavam que o homem podia realizar o supremo bem de que a vida humana é capaz por meio da sua própria vontade, sozinho ou pelo menos sem outra ajuda humana; outros encaram o poder como a finalidade da vida, e para alguns ainda essa finalidade resumia-se aos prazeres pessoais. Todas estas filosofias, soão filosofias de solitários, na medida em que o bem se supõe ser realizável em cada pessoa separadamente, e não apenas numa sociedade maior ou menor de indivíduos. Em minha opinião, tais ideias são falsas, não só consideradas como teoria de moral, mas também como expressão do que há de melhor nos nossos instintos.
O homem depende da cooperação e foi dotado pela Natureza, um pouco imperfeitamente é certo, com o aparelho de instintos que pode gerar a necessária tendência para essa cooperação. O amor é a primeira forma e a mais comum da emoção que a ela conduz e os que alguma vez sentiram o amor com intensidade não podem contentar-se com uma filosofia que lhes diz que os seus mais altos interesses, são independentes dos da pessoa amada. A este respeito, o amor dos pais pelos filhos é certamente o mais poderoso, mas esse sentimento será ainda maior se resultar do mútuo amor dos pais. Não pretendo que o amor sob a sua forma mais elevada seja coisa comum, mas afirmo que sob essa forma revela valores que sem ele ficariam ignorados e mantenho que tem por si próprio uma importância que não é atingida pelo cepticismo, embora os cépticos, são incapazes de o sentir, possam atribuir falsamente essa incapacidade ao seu cepticismo.”
Bertrand Russell
(1872-1970)
in ‘A Conquista da Felicidade’
Hoje o sol brilhou…timidamente, mas reconheci-o!… E algo em mim sorriu… e como é bom sorrir.
Aparte os efeitos naturais da primavera e o encanto das cores que ela desperta, procuro a descoberta desse prazer infinito para comigo mesmo e para com o outro, pegando em qualquer ponto de vista relacional ou estando em qualquer situação do ciclo vital. Que magia me permite ser feliz? Que segredo oculta a vida que eu possa descobrir e me permita desenvolver uma forma agradável de viver?
Colocando a atenção na gente sábia, a resposta chega simples e reveladora: o Amor.
Perante os contornos pouco evidentes de emoções que sobressaltam a vivência, lanço alguma “clareza” sobretudo de significação, acerca de uma força perante a qual, resistir apenas nos torna fracos, limitados por uma anervia relacional, condicionados por um fim no nada, longe da liberdade ambicionada.
Continuando o deslindar da realidade que o Homem do futuro tem de assumir, procurei o valor metalinguístico da palavra amor…e segundo o dicionário:
amor
(ô)
(latim amor, -oris)
s. m.
1. Sentimento que induz a obter ou a conservar a pessoa ou a coisa pela qual se sente afeição ou atracção.
2. Paixão atractiva entre duas pessoas.
3. Afeição forte por outra pessoa.
4. O próprio ser que se ama. (Us. tb. no pl.)
5. Acto sexual.
6. Brandura, suavidade.
7. Paixão ou grande entusiasmo por algo.
“amor”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2009,
segundo a Filosophia:
A multiplicidade de comportamentos reunidos sob a designação de amor – fala-se de amor ao desporto, aos animais, à sociedade, a uma mulher, a Deus – torna difícil a compreensão da sua realidade específica. Duas constantes, no entanto, se podem apontar, o amor supõe uma atracção natural ou adquirida ou procura satisfação. Pode ter por centro o próprio sujeito ou orientar-se a outro; a primeira atitude é, segundo a psicanálise narcísica ou captiva e a segunda, oblativa. Na história cultural, filosófica e literária salientam-se alguns vectores: o Eros intelectualizante de Platão e dos Neo-platónicos; o Ágape Cristão; o amor-paixão, cujo modelo, Tristão e Isolda, está presente da poesia trovadoresca ao Romantismo, passando por Petrarca; o amor místico de Santa Teresa d’Ávila e São João da Cruz; o Eros, pulsão sexual de Freud; o amor do «outro» dos filósofos da existência, de Kierkegaard a Jaspers, passando por Maxcsheler e Mounier. Segundo estes pensadores o amor é para o Homem – ser limitado - um meio de se realizar com o «outro».
O outro é a razão profunda do seu ser. E é somente na comunhão amorosa que a existência adquire valor e sentido. Não se trata de uma relação funcional visando a resolução de necessidades imediatas, mas da realização do próprio ser do Homem. Como tal, o amor permanece um fim a atingir, quaisquer que sejam as modalidades da sua expressão.
“amor”, in A Enciclopédia; editorial Verbo, 2004.
Questione-se agora o valor vivencial do Amor. Quanto vale assumir o Amor na vida?
Resposta demorada mas de significação única, pois as palavras a imprimir serão de um aporte pessoal único, que cada um irá encontrar nos passos da caminhada…
Assuma-se o desafio, aclamando palavras intemporais…
“In the name of love
What more in the name of love.”
- u2

“…Quando a amor vier ter convosco,
segui-o,
embora os seus caminhos sejam árduos e sinuosos.
E quando as suas asas vos envolverem,
abraçai-o,
embora a espada oculta sob as asas vos possam ferir.
E quando ele falar convosco,
acreditai,
embora a sua voz possa abalar os vossos sonhos
como o vento do norte devasta o jardim.
Pois o amor, coroando-vos,
também vos sacrificará.
Assim como é para o vosso crescimento
também é para a vossa decadência. “
-Kahlil Gibran-
O Profeta