Nas asas da Inspiração…
A beleza existe. E olhá-la faz-nos bem.
A beleza existe. E olhá-la faz-nos bem.
A Beleza é Inspiradora!
Assente a primeira pedra na edificação do nosso Ser, materializamos a Existência!
Identificado que está o primeiro patamar na evolução do Sertotal, o reconhecer o mundo no qual temos um espaço a ocupar, importa adequar a capacidade de evoluir e de nos adaptarmos, construindo a “Catedral Pessoal”, com disposição firme e sobranceira, escorada no Saber e na Experiência.
Com ouvidos atentos ao entendimento, faz o Iniciado o seu presente e afina o seu espírito para a transcendência. Se quer existir, tem de o afirmar… e os limites do seu espaço são delineados por uma fina névoa que transparece no sonho da sua vontade. É a utopia que o ilumina, que dando brilho ao sonho, este se há-de fazer real com o entusiasmo do seu esforço. A luta na sua edificação é um acto continuo. Importa estar atento, na organização dos nossos pilares… na robustez dos nossos alicerces.
Com atenção merecida, transcrevi uma passagem que me parece ir ao encontro da realidade que nos confronta e deste sentimento, dando-nos uma imagem desta ideia..
Um bem haja aos guerreiros!!!
“Que ninguém se espante , por ao falar de principados inteiramente novos, onde o príncipe e o Estado são novos, apresentar exemplos tão grandes. Como os Homens caminham quase sempre por sendas abertas por outros, se orientam nos seus feitos pela imitação e nunca conseguem percorrer o verdadeiro caminho dos primeiros sem alcançar a virtude daqueles que imitam, o homem prudente deve seguir sempre as vias traçadas pelas grandes personagens e imitar aqueles que foram muito excelentes, para que se o seu talento não lhe permitir iguala-los, consiga ao menos alguma semelhança – a exemplo dos bons archeiros que, conhecedores do alcance do seu arco, visam sempre muito mais alto do que o necessário se o alvo lhe parece muito distante, não para que a sua flecha atinja tão grande altura, mas sim, para, graças a terem visado tão alto, acertarem no alvo desejado.
Digo pois, que, no tocante aos principados inteiramente novos, onde existe um novo príncipe, se encontra mais ou menos dificuldade conforme é maior ou menor a virtù daqueles que os conquista. E como esta aventura de passar de homem particular a príncipe pressupõe talento ou sorte, parece que um ou outro destes dons aplana, em parte, várias dificuldades. Contudo, obtém melhores resultados aquele que depende menos da sorte. Facilita-lhe também o êxito o facto de, não tendo outros estados, ir viver em pessoa no novo Estado. Referindo-me àqueles que pelo seu talento, que não pela sorte, se tornaram príncipes, considero que os mais excelentes foram Moisés, Ciro, Rómulo, Teseu e alguns outros semelhantes. Embora não se deva falar de Moisés, visto ter sido apenas um fiel executor de coisas ordenadas por Deus, ele merece, todavia, que o admiremos, quanto mais não seja pela graça que o tornou digno de falar com Deus. Mas, se estudarmos Ciro e os outros que conquistaram ou fundaram reinos, achá-los-emos a todos admiráveis, e se observarmos bem os seus feitos e os seus modos especiais de proceder, uns e outros não nos parecerão muito diferentes dos de Moisés, que teve um preceptor tão altamente colocado. Ao atentarmos nas suas obras e na sua vida, verificaremos que não tiveram outra sorte que a ocasião, a qual lhe proporcionou a matéria em que puderam introduzir a forma que lhes aprazia. Sem a ocasião, os seus talentos e o seu espírito ter-se-iam perdido; sem os seus talentos a ocasião teria surgido em vão.
Foi necessário a Moisés encontrar o povo de Israel no Egipto, escravizado e oprimido pelos egípcios, para que este povo decidisse segui-lo, a fim de se libertar do seu cativeiro, e a Rómulo sentir-se apertado em Alba e ter sido abandonado à nascença para se tornar fundador de Roma e senhor do país. Ciro precisou de encontrar os Persas descontentes com o império dos Medos e estes enfraquecidos e efeminados por uma paz demasiado longa, e Teseu não teria podido mostrar o seu Talento se não encontrasse os Atenienses dispersos. Portanto, estas ocasiões permitiram o êxito destas personagens e a excelência da sua virtù permitiu-lhes identificar a oportunidade, do que resultou enobrecerem-se os seus países e tornarem-se muito felizes.
Quanto àqueles que, semelhantemente aos precedentes, obtêm um principado graças à sua virtù, conseguem-no com dificuldades, mas é-lhes fácil lá se manterem. As dificuldades que têm de vencer resultam em parte das novas ordens e dos novos costumes que são obrigados a impor, a fim de bem fundarem o seu Estado e assegurarem o seu poder, e não esqueçamos que não há coisa mais difícil de tratar, de êxito mais duvidoso, nem de manejo mais perigoso do que aventurar-se alguém a impor novas instituições, pois aquele que as impõe tem como inimigo todos a quem a ordem antiga aproveitava e como tíbios defensores apenas os que poderão aproveitar da nova. A tibieza destes últimos resulta em parte do medo aos adversários que têm as leis por eles e, em parte, também, da incredulidade dos homens, que não acreditavam verdadeiramente numa coisa nova, enquanto não vêm realizada uma experiência firme. Daí resulta que, sempre que têm ensejo de atacar, os adversários investem como ardentes prosélitos, enquanto os outros se defendem frouxamente e tudo se torna periclitante em seu redor. Portanto, se queremos compreender bem este ponto, há que ver se os que procuram coisas novas podem alguma coisa por si próprios, ou se dependem doutrem, isto é, se para triunfarem na sua empresa contam com a ajuda das preces ou da força. No primeiro caso, acabam sempre mal e não conseguem nada, mas quando só dependem deles próprios e podem usar a força, raramente são derrotados. Daí eu todos os profetas bem armados tenham saído vencedores e os desarmados vencidos. É que além das coisas acima ditas, a natureza dos povos é mutável, e se é fácil persuadi-los de uma coisa, torna-se difícil mantê-los nessa persuasão. Assim, à que proceder de tal sorte que, quando deixarem de acreditar, se possa obrigá-los a crer pela força. Moisés, Ciro, Teseu e Rómulo não teriam conseguido que as suas constituições fossem respeitadas durante tanto tempo se se encontrassem desarmados. Assim aconteceu ao irmão Jerónimo Savonarola, cuja ruína surgiu na nova ordem por ele estabelecida, tão-logo a multidão começou a descrer e viu que ele não possuía os meios necessários para manter em respeito aqueles que o tinham acreditado, nem para convencer os que não acreditavam nele. Tais pessoas têm pois, grande dificuldade e agir bem; os perigos encontram-se todos no meio do caminho e elas precisam de possuir grande talento para os vencer. Mas quando se vencem os perigos e se começa a inspirar estima, depois de aniquilados aqueles cuja qualidade suscitava o nascimento da inveja, fica-se poderoso, seguro, honrado e feliz.
A tão grandes exemplos acrescentarei um mais pequeno, mas do mesmo género, e que desejo represente todos os outros semelhantes. Refiro-me a Híeron de Siracusa, que de simples particular se fez príncipe e que da sorte só conheceu a ocasião. Estando os de Siracusa assediados pela guerra e pelos negócios, elegeram-no seu capitão e ele mostrou-se digno de ser seu príncipe. Os talentos eram tão grandes, mesmo quando era de baixa condição, que quem escreveu a seu respeito disse : Quod nihil illi deerat ad regnandum praeter regnum. (“Para ser rei só lhe faltava o reino.”). Extinguiu a antiga milícia e criou outra nova, trocou as antigas amizades por novas amizades, e, depois de ter amizades suas e soldados seus, pode construir todo o edifício sobre tais alicerces. Foi difícil consegui-lo mas foi fácil conservá-lo.”
Nicolau Maquiavel – O Príncipe – cap VI, livros de bolso Europa América, ed: Julho de 2000
“Em momentos de crise, a imaginação é mais importante que o conhecimento…”
“Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu, do que todos os acertos, se eles foram meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição, venha a pensar o mesmo que eu; mas, nessa altura, já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem.”