olhar intemporal…
“Não fostes feitos para viver como brutos /
Mas para seguir virtude e conhecimento”.
aclamação que o próprio Dante faz do destino dos homens através da fala do seu herói, por ela reiterar a Liberdade
in Divina Comédia
“Não fostes feitos para viver como brutos /
Mas para seguir virtude e conhecimento”.
aclamação que o próprio Dante faz do destino dos homens através da fala do seu herói, por ela reiterar a Liberdade
in Divina Comédia
Crescendo e assimilando… reflectindo na existencia, sobre o conhecimento do sensivel que retemos dos passos que damos, é com naturalidade que surge o confronto no íntimo de nós entre o que inconscientemente nos foi incutido como explicação do visivel e o ”novo modo” pelo qual é percebido tudo que nos rodeia.
Norteados pela universalidade dos nossos fins, olhamos a Deus e por certo, apenas Ele será o companheiro que nos segue fielmente, sendo nós o depósito do qual emerge toda e qualquer vontade de agir!
Vontade de conseguir, Lealdade ao companheiro de viagem e Coragem de decidir: Heis o Homem perante as escolhas do caminho.
Para saber um pouco mais e fomentar a reflexão, segue-se um texto do blog http://blogs.publico.pt/dererumnatura/
Nemastê amigos(as)…
É muito difícil articular uma resposta religiosa ao problema do sentido da vida, pelas mesmíssimas razões pelas quais é muito difícil articular uma resposta religiosa ao problema dos fundamentos da ética.
No diálogo Êutífron, de Platão, Sócrates pergunta ao defensor da teoria religiosa da fundamentação da ética, a teoria dos mandamentos divinos, se o bem moral é o que é porque os deuses o querem ou amam, ou se eles o querem ou amam porque é um bem.
A primeira alternativa é inaceitável porque torna o bem moral arbitrário: é absurdo pensar que a tortura e assassínio de inocentes seja um mal unicamente porque os deuses não gostam de tais atrocidades. Mesmo os filósofos religiosos, incluindo alguns filósofos cristãos da religião, como Swinburne, aceitam que a teoria dos mandamentos divinos é insustentável. Seria como defender que 4 é um número par porque os deuses omniscientes sabem disso, em vez de defender que os deuses, por serem omniscientes, sabem que 4 é um número par, mas que não é porque os deuses o sabem que 4 é par.
Resta a segunda alternativa, que admite que a fundamentação da ética não depende dos deuses. As verdades éticas são verdadeiras por razões intrínsecas, estabelecidas pelo raciocínio moral, e não porque um deus as declarou verdadeiras.
O mesmo acontece no que respeita ao sentido da vida. Defender que a vida tem sentido porque são os deuses que o determinam torna o sentido arbitrário. Tem de ser ao contrário: uma vida tem ou não sentido, por si; e, se os deuses forem benevolentes, querem que tenhamos essa vida, tal como querem que sejamos felizes.
Assim, se a vida tem sentido, Deus não lho pode tirar. E se não o tem, Deus não lho pode dar. Tal como se uma acção for virtuosa, Deus não pode torná-la vil; e se for vil, Deus não pode torná-la virtuosa. Logo, no que respeita ao sentido da vida, tal como no que respeita aos fundamentos da ética, Deus é uma hipótese desnecessária. O que não implica que não seja uma hipótese necessária noutros domínios.
“As pessoas inteligentes, entregues a si mesmas, acabarão por filosofar, mais tarde ou mais cedo, seja qual for o campo de trabalho intelectual a que se entreguem, ou mesmo que a nenhum se entreguem.
O impulso para a filosofia é de facto tão natural e tão forte que nada se conhece, excepto o terror totalitarista, que consiga reprimi-lo em absoluto. Numa sociedade não totalitarista, pois, a filosofia será feita, e a única questão prática que resta é como haverá melhores hipóteses de ser bem feita, ou por quem.
(…)A acusação que nos lançavam costumava ser a de que andávamos perdidos em generalidades nebulosas. Hoje em dia a acusação é habitualmente ao contrário: que negligenciámos “as grandes questões” a favor de tecnicismos minuciosos e despropositados. Esta acusação é falsa, mas é inteiramente compreensível que a façam. O padrão de rigor em filosofia subiu imenso neste século, e este facto, só por si, é suficiente para explicar a fragmentação das grandes questões únicas em muitas questões mais pequenas, e o consequente abrandamento de todo o processo. A quem observa de fora, não podendo ver a floresta por causa das árvores, a coisa parece naturalmente como se jamais pudesse ter a mais remota conexão seja com o que for de interesse, de modo que um químico teórico, por exemplo, olhará provavelmente para nós pensando “Lá vai mais um maldito filósofo: para que é que os alimentamos?” Bom, estes pensamentos não são irracionais; mas estão errados. Ao mesmo tempo que nos desprezam, os nossos colegas têm também medo de nós. Também isto não é falho de fundamento racional! Em qualquer tipo de argumentação os filósofos são homens tenazes (alguns dos quais são mulheres), e a maior parte das pessoas não querem atravessar-se no nosso caminho mais do que uma ou duas vezes.”
David Stove_1927-94